quinta-feira, 16 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

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BAÚ DE PROFESSORA.

Desde pequena, meu sonho era ser professora. Acho até que nasci professora. Não sei se é possível alguém nascer professora. Mas eu nasci. Aliás, na minha pequena cidade do interior de Minas, tudo é possível. Contando com a cabeça de criança, imaginação vira pura realidade.
Lá pelos cinco ou seis anos, já não me lembro mais, eu precisava ficar nas pontas dos pés – engraçado, menina na roça cresce pouco – para escrever na velha tábua que me servia de quadro negro, na escolinha. Meus alunos eram escolhidos a dedo: as galinhas, o cachorro, o gato, minhas bonecas, até mesmo as de pana ou sabugo de milho, meus irmãos, estes muito infreqüentes. Isto me deixava irritadíssima.
Na minha escola não havia espaço para a discriminação. Todos eram felizes e aprendiam.
Era uma escola sem portas e sem obrigação. As galinhas, sempre tão irritadas, iam e vinham sem interromper as aulas. Gato e cachorro, bichos danados de inteligentes, davam uma pausa nos desentendimentos, fascinados pela lição. As bonecas, muito introvertida nunca falavam nada, mas, mesmo assim, ficavam encantadas com as histórias de fadas e monstros que eu inventava com tanto propriedade. Sempre entendi que professora tinha que prender a atenção e cativar para ensinar bem. Eu me sentia na obrigação de ser uma boa professora. Tinha responsabilidade com meus alunos, acho até que pelo fato de pertencermos à mesma comunidade. A verdade é que nos conhecíamos. Esta era a prática da professora que havia em mim.
Passava a lição no quadro sempre apressada e perguntava:
-Já terminaram? Posso apagar? Como nunca havia reclamação, eu apagava com prazer. De vez em quando, gritava com meus alunos, para mostrar autoridade. Esta lição, aprendi no grupo escolar de verdade, onde estudava. Chegava à hora da merenda.
Hum! Que delícia! Sempre tinha novidade, O sinal para o recreio era o cheiro do café moído, na hora e biscoito quentinho saído do forno.
Meus alunos estavam sempre dispostos e eu era incansavelmente professora. Naquela época, a ausência de livros, lápis cadernos, carteiras da escola tradicional já dava lugar à língua oral diversificada entre cacarejos, miados, latidos e mudez. Todos se entendiam e se respeitavam. As diferenças nunca tão iguais dentro do meu mundo infantil.
Meus irmãos passaram pela escola, mas ela saiu deles aos poucos, dando lugar a um aprendizado profissional diferente.
Acho que a escola nasceu comigo, Crescemos juntas. Fomos nos entendendo e fizemos um pacto: eu não saí dela nem ela de mim.
Meus alunos continuam fiéis nas figuras de Wellingtons, Rafaéis, Leonardos, Patrícias, Andréias, etc., etc., etc.
Os gritos foram se calando, porque a vida me ensinou que o silêncio sobrepõe-se à voz e, com o tempo, foram chegando as parcerias de trabalho, os desafios no lugar das provas e outras pequenas coisas que, hoje, fazem a grande diferença.
Ana Maria de Oliveira Rodrigues
Prof. De Português da E. M. Prof. Acidália (Belo –Horizonte –MG)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Horas na biblioteca.


Falar de minhas memórias em relação aos livros lidos e passagens por bibliotecas, Hum! meu texto ficará mínimo, para que possam perceber meu percurso escolar deixarei aqui, meu simples, porém marcante memorial escolar.
Bom, estudei as primeiras séries, na fazenda, tendo minha mãe como professora e sua formação era somente a quarta série primária, ou seja, 4ª série do ensino fundamental, naquela época podia, não me lembro de ter lido algum livro, mas a tabuada, Santo Deus! Quanto sofrimento... quantas vezes enchi folhas e folhas com a tabuada que não conseguia acertar, quanto mais castigo levava mais errava as malditas. Cá entre nós até hoje domino com facilidade só até a de seis, mas a infeliz tabuada não me reprovou, e fui para a cidade fazer a quinta série.
Existia nesta época tal de admissão, que era uma prova de todos os conteúdos e só depois de aprovado com média sete, estaríamos na quinta séria.
Outro sufoco, passar na admissão era como passar no vestibular de uma faculdade federal; passei! Com média 7,12 quase morri de felicidade, porque estava doente e não pude estudar os três meses, de preparação para a admissão, Aí ganhei como premio o relógio de ouro de minha mãe, (relíquia de família).
Não existia felicidade maior, e com este entusiasmo fui até o segundo grau sem uma nota vermelha, disputando ser a melhor aluna da sala, não tinha biblioteca em minha cidade e nem em minha escola. Os livros que li nesta trajetória foram: À volta ao mundo e 80 dias, e Memórias Póstumas de Braz Cubas, sinceramente não lembro de ter lido nenhum outro livro literário, agora pornografia de Adelaide Carraro, tipo Os padres também amam, credo, estes eram os meus prediletos, através deles eu descobria tudo que a sociedade fazia, e que era proibido saber. Como era satisfatório contar aquilo tudo para as colegas, foi divino! Enchi de amigas e o gosto pela leitura crescia entre nós, os livros passavam de mão em mão, todas queriam ler, e ai de nós se nossas mães descobrissem o que estávamos lendo, mas escondíamos só as capas, porque não tinha gravuras e nenhuma das mães sabia quem era Adelaide Carraro, e até ficavam feliz de nos ver quietas em casa lendo. Bons tempos aqueles.
Terminei meu segundo grau, já casada e não fazia mais sucesso os livros de Adelaide; fui para a faculdade, cursei Pedagogia em Jales, estado de São Paulo, era um curso seme-presencial e quase morri de tanto ler apostilas e fazer trabalhos, tudo que relacionava a educação tínhamos que estudar, saímos deste curso entendendo tudo e todos de uma escola, era tanta coisa que quase perdi o sabor de ser professora. Não desisti, trabalhei como professora de Filosofia, Sociologia e Didática, durante dois anos.
Adorava os pensamentos de Sidarta Gautama, o Buda; Sócrates; Aristótelfs; Platão; e outros filósofos, me empolgava tanto defendendo, admirando e analisando os pensamentos destes sábios, seu modo de ver as coisas e o mundo, que por muitas vezes tive que ser psicóloga de alunos, pois era procurada por eles, hoje penso que me tinham como sábia.
Aqui minha vida profissional muda de trajetória, larguei tudo por um sonho maior que nem era meu; meu esposo eu e meus dois filhos, partimos rumo ao primeiro mundo. USA, de pedagoga passei a hausekeeper e durou cinco anos!
Biblioteca! Sim! Deleitei durante cinco anos todas as tarde de sábado e domingo, lógico não todas as horas, pois, como disse eu era hausekeeper, de Um club, YMCA, e sempre que dava, lá estava eu na biblioteca lendo tudo que conseguia, a literatura infantil era o meu forte, este foi o caminho que encontrei para aprender Inglês, a falta deste idioma era enorme, questão de sobrevivência, necessidade mesmo!
Abençoada biblioteca, mudou toda minha direção profissional, de Gautama, passei a English teacher, chique né? Pois é voltando ao Brasil não existia mais o conteúdo de filosofia, pedagogia e didática, não existiam mais magistério de segundo grau, e minha faculdade de pedagogia foi pro ralo, Supervisão, e Orientação, as escolas estavam cheias, uma vez que são poucas profissionais, o máximo uma por turno, conclusão, tive que ser professora de Inglês porque este conteúdo estava em falta de profissionais, trabalhei seis anos ser formada em Letras, tomei gosto e encorajei a enfrentar novamente os bancos de uma faculdade, pois a concorrência nesta área já estava começando e meu tempo de serviço não ganharia de um professor Letrado.
Com dois anos cursando letras, saiu o concurso de professor, fiz e graças a Deus hoje tenho dois cargos efetivos, um grande amor pelo saber, correr atrás, aprender sempre, pois foi a dedicação em aprender o Inglês sozinha em uma biblioteca, fazer novamente uma faculdade, não desistir em frente aos obstáculos, que tenho meu lado profissional estruturado e posso envelhecer tendo uma aposentadoria, que não é grande coisa, mas já é uma segurança para quando estiver velhinha.



Raízes do Brasil . Publicado em 1936, nos mostra a formação da sociedade brasileira, descrevendo nossa Identidade com a introdução da frase -"somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra"- expressa a questão central de nossa formação mística, este tema atravessa todo o livro, extravasando no conjunto da obra do grande historiador, Sergio Buarque de Holanda.
Apontando as contribuições que os países europeus tiveram na composição da nossa cultura. Iniciando com o processo rural, que se originou no Brasil, visto que a sociedade era baseada, exclusivamente, na agricultura. Traz também um destaque a abolição dos escravos, colocando-a como o marco histórico que divide em duas fases a História brasileira. Esse novo fato foi de extrema importância, o qual caracterizou a época urbanística e o predomínio da fase marcada pelo intelectualismo do nativo brasileiro. Este adquiriu novos preceitos e novas prioridades, substituindo o valor atribuído a terra para as questões do intelecto, como a busca de um diploma de Bacharel adquirido por muitos, mesmo sem ter cursado faculdade, pois era a chave mestra na obtenção dos grandes cargos públicos.
Contudo não podemos deixar de ressaltar os traços psicológicos abordados, sobretudo, no primeiro capítulo , e o valor histórico, geográfico e sociológico na sua descrição da formação da sociedade brasileira. Nosso escritor pretendeu descrever, minuciosamente, o processo e o caráter da colonização portuguesa no Brasil, sem esquecer do legado das outras nações européias, como Espanha, Holanda e Inglaterra.
O conteúdo programático do livro é estruturado em sete capítulos, o primeiro, intitulado Fronteiras da Europa, descreve a influência da cultura portuguesa sobre a brasileira. Faz uma análise psicológica do português, tentando explicar sua incapacidade indelével para estabelecer uma organização sólida no Brasil, através da frouxidão das suas instituições. Uma miscigenação teria sido prejudicial à formação da raça brasileira. Um exemplo disso é a maneira como explica o sucesso da colonização portuguesa no Brasil. Mais preocupado com a formação da cultura brasileira propriamente dita, Sérgio Buarque aborda, logo no início de Raízes do Brasil, o evento da importação e implantação da cultura européia em território americano. Para ele, este é, em nossa história, “o fato dominante e mais rico em conseqüências”.
O segundo capítulo é Trabalho & Aventura, este trata do aspecto da colonização e da implantação da cultura da cana-de-açúcar como um fator de estabelecimento do colono na “nova terra”, tendo a favor do português uma predisposição de adaptação ao clima e a vida tropical,porém a recusa da hierarquia e o individualismo ibéricos acabaram resultando, na sociedade brasileira, na cultura da invasão do público pelo particular, a frouxidão das instituições e a falta de coesão social da sociedade brasileira. O mesmo individualismo, segundo Sérgio Buarque, levaria os ibéricos – e, mais tarde, os brasileiros – a uma cultura de recusa do trabalho manual, já que este é a dedicação a algo exterior ao indivíduo. Outras características que herdamos da sociedade portuguesa: o amor ao ócio, o horror à submissão e a imprevidência.
O terceiro é Herança Rural,onde estabelece o marco histórico – abolição da escravidão no Brasil em 1888 – considerado o divisório entre duas épocas, o período agrário dominado pelos grandes senhores de terras e o período após a abolição – considerado bacharelismo – marcado pela transição do trabalho escravo para o assalariado, E em quase todas as épocas da história portuguesa uma carta de bacharel valeu quase tanto como uma carta de recomendação nas pretensões a altos cargos públicos. No séc. XVII, a crer no que afiança a arte de furtar, mais de cem estudantes conseguiram colar grau na Universidade de Coimbra todos os anos, a fim de obterem empregos públicos, sem nunca terem estado em Coimbra.
O quarto é O Semeador e o Ladrilhador, o qual traz um estudo sobre a importância das cidades, retratando sua subordinação ao campo, visto que foi estabelecida uma economia agrária. A urbanização ocasionava o deslocamento do foco de poder das áreas rurais para as urbanas. Assim, as cidades deixavam de ser meros prolongamentos da grande propriedade, dando continuidade ao processo de decadência da oligarquia que se iniciava com a Independência política em 1822 e que atingia seu clímax com a Abolição da Escravatura, em 1888. Elucida, ainda, à questão das bandeiras, que possibilitaram a interiorização do território brasileiro, à sujeição da Igreja ao Estado, à vida intelectual, tanto do Brasil como da Espanha e à variação lingüística, sobretudo em São Paulo.
O quinto é O Homem Cordial, que estrutura a formação da família brasileira, sem deixar de apresentar a educação dada às crianças, bem como a aversão ao ritualismo.
O sexto é Novos Tempos, cuja temática aborda certas conseqüências na configuração da sociedade brasileira, a partir da vinda da família real. Tenta explicar o bom êxito que o pensamento positivista teve no Brasil, sobretudo entre os militares. Sérgio Buarque, como não aprova generalizações, constrói uma visão do Brasil através do confronto entre pares opostos, chegando a uma visão “média” do aspecto abordado. É o que acontece quando ele opõe: o ladrilhador e o semeador, ou seja, o espanhol, previdente e adepto do planejamento, e o português, desprovido dessas características; o trabalhador e o aventureiro, tipos ideais, sempre presentes, em maior ou menor medida, no indivíduo; o rural e o urbano; o estilo urbanizador espanhol e o português; o Estado e a família, pertencentes à esfera do impessoal e ao pessoal, respectivamente.
A sétima e última divisão do livro é Nossa Revolução que mostra a passagem do rural ao urbano, isto é, predomínio da cultura das cidades, que tem como conseqüência a passagem da tradição Ibérica ao novo tipo de vida. Tal processo resultou no “aniquilamento das raízes ibéricas de nossa cultura para a inauguração de um novo, que crismamos talvez ilusoriamente de americano, porque seus traços se acentuam com maior rapidez em nosso hemisfério”
Raízes do Brasil saldou-se por uma inflexão de estratégia intelectual de Sergio Buarque, na tentativa de identificar a gênese das mazelas da nossa formação social, com a análise rigorosa de tópicos claramente definidos nos seus contornos conceituais, percebendo que é a história, não a sociologia, que garante o interesse permanente da obra.

Bibliografia:
Holanda Sérgio Buarque __ Raízes do Brasil, ed. Companhia das Letras 26ª edição (1995).

DESMUNDO, "Aos olhos da cursista: Beatriz Calixto Nazário"



O filme retrata a colonização do Brasil, bem no seu início. Simula como foi a “domesticação” e escravidão do índio que era chamado de “brasiles” ou selvagem, considerados pelos portugueses como animais até que tivessem contato com a religião e a língua de Portugal.
Além disso, evidencia a escravidão do negro, mas principalmente aponta as dificuldades dos colonizadores ao chegarem aqui, pois não vinham casais, e sim homens em busca de terras e de riquezas, não havia, portanto, mulheres para se “reproduzirem”, pois as índias e negras a religião noção permitia, assim tinham que trazê-las de Portugal. Escolhiam-se as órfãs, estas ao chegarem aqui tinham que se submeterem ao homem que lhe fosse imposto, e ao que ele queria, era realmente uma falta de mundo!
Desta “ invasão” pode-se observar que os portugueses queriam impor sua língua, religião e forma de viver, tudo que se contrapunha a isso era considerado como errado, pecaminoso ou mundano. Os judeus que para cá vinham não eram bem vistos pelos portugueses e os espanhóis eram considerados os que levavam uma vida mais simples.
Quanto à língua, existia várias, a dos índios, dos negros, dos espanhóis, dos judeus, e a que era imposta para todos, o português. Este muito arcaico e distante do que falamos hoje no Brasil, e acredito também que do de Portugal. Em determinados momentos eu cheguei a nem entender o que eles falavam, foi necessário a legenda. Mesmo sendo arcaico, é possível compreender que certos modos de falar hoje descendem desta época. Percebe-se que usavam muitos verbos no infinitivo, menos elos coesivos e palavras que hoje nem existem mais.
Logo, nota-se que houve uma mudança gradativa na forma de falar daquela época para hoje. Porém em algumas expressões ficaram no sotaque das pessoas. Principalmente na zona rural, onde as pessoas ainda trazem a forma de falar dos seus ancestrais.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Desmundo


Desmundo com grande qualidade e ousadia, fazendo com que todos os diálogos sejam falados em português arcaico (obrigando o uso de legendas em português coloquial).Desmundo é, antes de qualquer coisa, um ponto de vista diferente oriundo de uma jovem que é forçada a ter uma vida que ela jamais desejou em um lugar que, para ela, é o ‘fim do mundo’, e comparado com sua concepção de civilização é a própria ausência desta, onde a sobrevivência é uma árdua tarefa diária. Uma visão não distante da realidade do momento, já que os homens enviados por Portugal para o Brasil encontraram, exatamente, uma selva a sua frente; e nesta luta para se estabelecer foram embrutecendo em prol de sua necessidade. Na lógica da natureza, esses homens iam se moldando, se assentando e firmando, para horror da igreja, relacionamentos nada convencionais com as índias nativas. Fato que acarretou na pressão para o envio de moças para suprir a necessidade da formação de famílias católicas, custe o que custar. No calor desta necessidade esqueceram de perguntar o desejo daquelas que, por não possuírem família, não possuíam voz. Neste aspecto estamos acostumados a imaginar a chegada de prostitutas, que pelo estigma que carregam nos diminui a pena, talvez por um preconceito infiltrado e reprovável ou talvez porque, no fundo, temos o retrato do homem colonizador e, como a vida já foi difícil para essas mulheres ‘da vida’, a sua adaptação nesta terra de ninguém seria ao menos suportável. Simplesmente não lembramos das jovens órfãs; moças da mais tenra idade, criadas e educadas por freiras e completamente despreparadas para o casamento (uma preparação advinda, na época, de conselhos de mãe e mesmo assim, quando o casamento já estava marcado e próximo). Através dos olhos de uma das órfãs, Oribela, vamos recebendo e formando uma nova perspectiva sobre o sofrimento daquelas que ajudaram a criar esta nação. Meninas que foram responsáveis pelo surgimento de incontáveis linhagens de extrema importância para o Brasil, mas que, em contra partida, enfrentaram a desconstrução de seus ideais, hábitos e esperanças.

domingo, 24 de agosto de 2008

Reflexões sobre o texto de Chico-Bento.

Reflita, A posição do conselho Nacional de Cultura reflete preconceitos arraigados contra as manifestações culturais dos segmentos da população brasileira que são portadores de uma cultura predominantemente oral e têm pouco acesso à cultura de letramento escolar. Quando interagimos com brasileiros nascidos e criados na região rural ou rurbana do contínuo de urbanização, observamos muitos usos lingüísticos diferentes dos nossos. Vimos isso no texto de Chico Bento, dos falares situados no pólo rural e que vão desaparecendo à medida que nos aproximamos do pólo urbano. Dizemos, então, que esses traços têm uma distribuição descontínua porque seu uso é “descontinuado” nas áreas urbanas. Há outros traços que estão presentes na fala de todos os brasileiros e, portanto, se distribuem ao longo de todo o contínuo. Esses traços, ao contrário dos outros, têm uma distribuição gradual. Vamos chamá-los de traços graduais. Observe que os traços descontínuos são os que recebem a maior carga de avaliação negativa nas comunidades urbanas.